DIONÍSIO
(André L. Soares)
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Não temo a loucura arriscada
que parece acompanhar tudo que é novo.
O que mais me assusta é a inércia da certeza,
que insiste em macular de tédio o amanhã,...
pelo extraordinário que inexiste
nas coisas seguras.
Quão insípidas são essas horas
todas já tão planejadas,
esses passos firmes, por estradas retas,
acinzentando o mundo com prévios resultados.
Sei que posso estar errado,...
mas prefiro o inusitado
perigo das curvas.
FUGINDO NUMA TELA DE VAN GOGH (André L. Soares) . Cansado das vãs teorias, busco a letargia dos alienados felizes. Não quero saber da política, viro as costas ao feio e à hipocrisia. Entrego-me à incoerência;... só vou ouvir os pássaros e apreciar as orquídeas! Chega de tantas mentiras, da esperança perdida da pesada leitura. Fico à margem dos dias, da falsa engrenagem das tristes notícias. Cedo-me à ignorância;... só vou ouvir os pássaros e apreciar as orquídeas! Farto das ideologias, dos beijos de Judas, das falas prolixas. Renego as tramas noturnas, as turvas matizes e as falácias da vida. Rendo-me à intolerância;... só vou ouvir os pássaros e apreciar as orquídeas! . . .